Pesquisadores localizaram vasos sanguíneos excepcionalmente preservados em um osso de Tyrannosaurus rex de 66 milhões de anos. A equipe aplicou um acelerador de partículas síncrotron para investigar a peça sem causar danos, segundo estudo publicado na revista Nature.
O espécime, escavado por paleontólogos, apresentava cicatrizes pronunciadas na superfície externa. A análise por raios X de alta intensidade gerou um modelo tridimensional em resolução microscópica, permitindo identificar uma rede de canais fossilizados que transportava sangue no animal.
As imagens revelam que o predador possuía um sistema circulatório capaz de encaminhar rapidamente nutrientes e células de reparo a regiões lesadas, favorecendo a regeneração óssea após ferimentos graves. Os autores descrevem que o fluxo contínuo de sangue acelerava a consolidação de fraturas, aumentava a resistência a infecções e contribuía para a sobrevivência do dinossauro em disputas por alimento e território.
Segundo o trabalho, a complexidade vascular observada sugere um metabolismo mais ativo e quente do que o de répteis modernos. A técnica de síncrotron, que acelera elétrons a velocidades próximas à da luz, forneceu detalhes nanométricos em três dimensões sem necessidade de corte físico, preservando integralmente o fóssil. Métodos tradicionais, como tomografia computadorizada ou histologia, não alcançam o mesmo nível de detalhe e podem comprometer parte do material.
Os autores explicam que condições químicas específicas durante a fossilização cristalizaram minerais ao redor dos tubos vasculares, possibilitando a conservação da estrutura. A constatação levou museus a reexaminar acervos em busca de vestígios biológicos semelhantes em outros fósseis.
Com informações de Olhar Digital
