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Casa Branca considera supervisão prévia de modelos de inteligência artificial, afirmam autoridades

Autoridades e participantes das discussões relataram ao The New York Times que o governo de Donald Trump estuda introduzir mecanismos de controle sobre sistemas de inteligência artificial (IA) antes de sua liberação pública. A iniciativa representaria uma mudança em relação à política não intervencionista adotada desde o retorno de Trump à presidência, fase em que a administração estimulou o desenvolvimento acelerado da tecnologia.

Entre as possibilidades analisadas está a criação de um grupo de trabalho voltado à IA, formado por executivos do setor e representantes do governo. Esse colegiado avaliaria diferentes formas de supervisão, incluindo um procedimento formal de revisão antes do lançamento de novos modelos.

Segundo as fontes, a proposta já foi apresentada a empresas como Anthropic, Google e OpenAI. O formato em discussão pode seguir modelo semelhante ao do Reino Unido, onde órgãos públicos verificam se os sistemas atendem a padrões de segurança.

Apesar das conversas, um funcionário da Casa Branca indicou que a emissão de uma ordem executiva ainda é considerada especulativa, ressaltando que qualquer decisão será anunciada diretamente por Trump.

A revisão da política ganhou força depois que a Anthropic divulgou o Mythos, modelo capaz de identificar vulnerabilidades em softwares, mas que não foi disponibilizado ao público. O governo teme as repercussões políticas de um possível ataque cibernético significativo apoiado por IA e avalia se novos sistemas poderiam oferecer recursos úteis ao Pentágono e a agências de inteligência.

Uma das propostas prevê que o governo receba acesso antecipado a modelos avançados, sem necessariamente impedir sua posterior liberação geral. A ideia divide o setor: parte dos executivos teme que uma supervisão rigorosa atrase a inovação dos Estados Unidos em relação à China, enquanto outra parcela apoia algum nível de controle.

Dean Ball, ex-conselheiro de IA do governo Trump e integrante da Foundation for American Innovation, afirmou que o cenário exige equilíbrio, observando que há poucas regras formais e, ao mesmo tempo, receio de regulação excessiva.

O debate ocorre em meio a um impasse entre a Anthropic e o Departamento de Defesa envolvendo um contrato de US$ 200 milhões. Após divergências sobre o uso militar da tecnologia, o Pentágono suspendeu a utilização da IA da empresa em março, o que levou a startup a recorrer à Justiça. Apesar disso, sistemas da Anthropic continuam empregados em projetos militares como o Maven, responsável por analisar dados de inteligência e sugerir alvos operacionais.

A possível mudança de rumo coincide com alterações na equipe da Casa Branca. Em março, David Sacks deixou a função de responsável por IA, substituído por uma estrutura compartilhada entre Susie Wiles e Scott Bessent, que sinalizaram maior participação na formulação de políticas para o setor.

O novo grupo de trabalho poderá incluir órgãos como a Agência de Segurança Nacional (NSA) e o Escritório do Diretor Nacional de Inteligência (ODNI) na avaliação dos modelos. Também está em exame o futuro do Center for A.I. Standards and Innovation, criado no governo anterior para revisar sistemas repassados voluntariamente, mas que perdeu protagonismo na atual gestão.

O possível ajuste de postura contrasta com declarações anteriores da administração. Em discurso em Paris, o vice-presidente JD Vance advertiu que uma regulação excessiva poderia prejudicar o desenvolvimento tecnológico, enquanto Trump já havia defendido o crescimento sem entraves políticos, reconhecendo, contudo, a necessidade de regras que fossem mais avançadas do que a própria tecnologia.

Com informações de Olhar Digital

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