O advogado-geral da União, Jorge Messias, publicou em 2 de maio de 2026, às 22h05, em seu perfil na rede X, uma mensagem motivacional acompanhada de uma montagem produzida por inteligência artificial. Na ilustração, ele aparece segurando a Constituição Federal junto ao peito.
A arte afirma que é preciso coragem para defender princípios impopulares e sustenta que, nessas circunstâncias, nasce a história que vale a pena ser vivida, incentivando o leitor a seguir firme, inspirar e transformar. Na legenda, Messias acrescenta que o que se faz hoje ecoa no amanhã. A imagem ainda apresenta orientações atribuídas ao próprio titular da Advocacia-Geral da União: defender a Justiça, conhecer a Verdade, servir com propósito e transformar a realidade.
A manifestação ocorre após o plenário do Senado ter rejeitado, na quarta-feira (29), sua indicação para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Foram 42 votos contrários e 34 favoráveis, resultado considerado uma derrota histórica para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desde a criação do STF, há 135 anos, apenas cinco indicações haviam sido barradas pelo Senado, todas em 1894, no governo Floriano Peixoto.
Durante a sabatina, senadores questionaram Messias sobre sua atuação na ADPF 1141, em que a Advocacia-Geral da União defendeu a possibilidade de aplicação da assistolia fetal em casos de aborto após a 20ª semana de gestação. Trechos de sua tese de doutorado também foram criticados por classificar o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff como golpe e elogiar o Supremo Tribunal Federal na defesa da democracia, especialmente nos eventos de 8 de janeiro de 2023.
Outro ponto de desgaste foi o trabalho da Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia, órgão vinculado à AGU. Dias antes da sabatina, a AGU, conduzida por Messias, enviou notificação extrajudicial ao X solicitando a retirada de publicações consideradas críticas a projetos de combate à misoginia. A ação envolveu postagens de usuários e perfis de jornalistas, gerando repercussão negativa entre parlamentares e reforçando questionamentos sobre liberdade de expressão.
Com informações de Gazeta do Povo
