Um estudo publicado este mês na revista Science Advances descreve um sistema planetário raro, designado TOI-201, cuja reorganização orbital está sendo monitorada diretamente pelos astrônomos. As observações indicam que os três corpos que transitam diante da estrela alteram gradualmente suas trajetórias sob influência gravitacional contínua.
Pesquisadores da Universidade do Novo México, nos Estados Unidos, identificaram no sistema um planeta rochoso próximo à estrela, um gigante gasoso e um objeto externo muito massivo. O grupo verificou que o instante e a duração dos trânsitos variam, sinal de que as órbitas se inclinam ao longo do tempo.
O componente mais distante, denominado TOI-201 c, responde pela dinâmica incomum. Classificado como anã marrom, ele percorre uma órbita alongada com período aproximado de 7,9 anos, deslocando-se de uma região semelhante à órbita de Marte até além da de Júpiter. A massa elevada, embora insuficiente para fusão nuclear, provoca forte perturbação nos demais corpos.
O Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito (TESS), da NASA, registrou um trânsito parcial que não correspondia aos planetas previamente detectados, ao mesmo tempo em que o gigante gasoso apresentou atraso de cerca de 30 minutos. Esses indícios revelaram a presença do objeto externo.
Diversos conjuntos de dados foram reunidos para definir a órbita da anã marrom. Medições das missões Gaia e Hipparcos, da Agência Espacial Europeia (ESA), mostraram oscilações na estrela causadas por atração gravitacional. Telescópios instalados no Chile e na Austrália, além de monitoramento prolongado na estação Concordia, na Antártida, complementaram as informações.
Com todo o material, os cientistas reconstruíram a configuração tridimensional do sistema, obtendo detalhes sobre inclinações e evolução orbital. As análises apontam que o atual alinhamento deixará de existir dentro de cerca de 200 anos, configuração que não deve se repetir por milhares de anos.
Modelos sugerem que a disposição observada pode ter se formado por ciclos de Kozai-Lidov, processo gravitacional que altera inclinações orbitais, embora exista a possibilidade de um evento caótico envolvendo planetas gigantes no passado.
Um trânsito completo de TOI-201 c está previsto para 26 de março de 2031. Esse evento deverá permitir medições mais precisas de sua órbita e do impacto sobre os corpos internos, contribuindo para refinar projeções sobre a evolução do sistema nas próximas décadas.
Os autores ressaltam que a combinação de um planeta rochoso próximo à estrela e um companheiro distante e massivo fornece pistas sobre formação e migração planetária, além de mostrar que sistemas aparentemente estáveis podem sofrer alterações significativas ao longo do tempo.
Com informações de Olhar Digital
