O Supremo Tribunal Federal realizou nesta semana uma solenidade interna para marcar os nove anos da posse de Alexandre de Moraes na Corte. O presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que se orgulha de ter retomado o hábito de homenagear cada ministro na data de ingresso no tribunal e declarou que Moraes conduziu as ações penais relacionadas aos atos de 8 de janeiro com “virtude intimorata”, segundo suas próprias palavras, o que teria fornecido base para que os demais magistrados deliberassem dentro do devido processo legal.
O encontro ocorreu em meio à crise institucional que, de acordo com o texto de referência, é considerada a mais grave nos 135 anos de existência do Supremo e coincide com pesquisa na qual 60% dos brasileiros declararam desconfiança em relação à Corte. O conteúdo original relata que, mesmo nesse cenário, os ministros investiram em elogios mútuos, classificados pelo artigo como cabotinos, “dignos de fazer corar um frade de pedra”, expressão que a publicação atribui a Gilmar Mendes.
Na mesma cerimônia, Gilmar Mendes, decano do tribunal, declarou que o país teria uma “dívida histórica” com Alexandre de Moraes. Ele sustentou que o colega teria livrado o Brasil do que considerou assédio de grupos que buscavam desacreditar o sistema eleitoral, inclusive ao questionarem as urnas eletrônicas. Mendes mencionou que, a partir do inquérito das fake news instaurado pelo Supremo, Moraes teria assumido posição central na defesa do regime democrático, descrevendo a condução desse processo como firme, corajosa e irretocável. O ministro ainda afirmou que a presença de Moraes tranquilizaria a população e disse confiar que ele teria forças para enfrentar novas adversidades, pois seu “espírito público” e “fortaleza moral” teriam impedido que o país caísse em “abismo autoritário”. O decano acrescentou que as futuras gerações reconheceriam tal atuação.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, aderiu aos elogios. Ele declarou que o Ministério Público Federal se associava às homenagens e descreveu o período de nove anos de Moraes como “desassombrado, brioso, denodado, intrêmulo e eficiente”.
O artigo também menciona que ministros da Corte são alvo de questionamentos sobre contratos, negócios e consultorias com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, tema que, segundo o texto, agrava a percepção pública de autoexaltação. Horas antes dos discursos em homenagem a Moraes, Vorcaro foi transferido de helicóptero para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde iniciou tratativas para acordo de delação premiada. O ministro André Mendonça, relator do caso, sinalizou que não aceitará colaboração que, eventualmente, omita informações sobre políticos ou integrantes do Supremo.
Com informações de Gazeta do Povo
