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Campanha de Flávio Bolsonaro adota tom moderado, busca centro e sinaliza ajuste fiscal

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para disputar o Palácio do Planalto em 2026, adotou a moderação como eixo principal da pré-campanha, segundo integrante do núcleo duro da equipe. A estratégia, definida a oito meses da votação, pretende reduzir a rejeição, aproximar o candidato do eleitorado de centro e, simultaneamente, acalmar investidores ainda reticentes.

De acordo com essa fonte, o plano é apresentar uma candidatura “menos bélica”, focada em temas de interesse do eleitor que costuma oscilar a cada eleição presidencial. A defesa de Jair Bolsonaro e as críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) seguirão no centro do discurso, mas o pré-candidato pretende ampliar o alcance ao enfatizar a pauta econômica, com promessas de cortar gastos públicos, conter o tamanho do Estado, atacar juros elevados e controlar a inflação.

Em entrevista ao jornalista Paulo Figueiredo, Flávio avaliou que parte dos eleitores que apoiaram Luiz Inácio Lula da Silva em 2022 estaria arrependida, mencionando manifestações de descontentamento nas redes sociais e prevendo perda de apoio ao petista no Nordeste.

A análise do senador ocorre após levantamento do PoderData realizado entre 24 e 26 de janeiro deste ano, que registrou 34% de aprovação e 57% de desaprovação ao governo Lula; 9% não souberam opinar. No recorte nordestino, 46% aprovam e 45% desaprovam o presidente. No estudo anterior do instituto, de dezembro de 2025, a mesma região mostrava 50% de aprovação e 46% de rejeição.

Para atrair o mercado financeiro, Flávio promete equilibrar as contas públicas. A interlocução com investidores tenta responder às críticas ao desequilíbrio fiscal do atual governo, apontado por agentes do setor como fator de pressão sobre a taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, maior patamar desde julho de 2006, quando chegou a 15,25%. Selic alta encarece o crédito, reduz o consumo das famílias e freia a atividade econômica.

A campanha pretende também explorar manobras contábeis atribuídas ao Executivo federal. Dados do Tesouro Nacional indicam déficit de R$ 61,7 bilhões em 2025, sem considerar R$ 48,7 bilhões excluídos da meta fiscal – valores referentes a precatórios, ressarcimentos ao INSS, despesas temporárias de educação e saúde e projetos estratégicos de defesa.

Para o cientista político Elton Gomes, da Universidade Federal do Piauí, questões econômicas tendem a ser decisivas na disputa, ao lado de combate à corrupção, segurança pública e, secundariamente, política externa. Ele avalia que o elevado déficit, os juros altos e a retomada da inflação nos alimentos podem favorecer a oposição.

No desenho da chapa, aliados de Flávio analisam nomes considerados moderados para a vice-presidência. Estão sob avaliação o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD); o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); e a senadora Tereza Cristina (PP-MS). A presença de Zema é vista como crucial em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, enquanto Ratinho Júnior reúne o apoio do PSD, partido que conquistou 887 prefeituras em 2024. Já Tereza Cristina poderia agregar apoio do agronegócio e ampliar a atração do eleitorado feminino.

Elton Gomes observa que vices de centro costumam oferecer capilaridade partidária, exemplificando com José Alencar e Michel Temer, e lembra que a falta de um perfil semelhante teria sido fragilidade na tentativa de reeleição de Jair Bolsonaro em 2022.

A pesquisa PoderData de janeiro entrevistou 2.500 pessoas em 11 municípios de 26 estados e no Distrito Federal, com margem de erro de dois pontos percentuais e 95% de confiança. O levantamento de dezembro ouviu o mesmo número de pessoas em 133 municípios e aplicou ponderação para sexo, idade, instrução, região e renda, mantendo a mesma margem de erro.

Com informações de Gazeta do Povo

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