Com a piora de sua avaliação no Sudeste, que concentra quase metade do eleitorado nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a dedicar-se pessoalmente à montagem de palanques em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro para as eleições de 2026.
Levantamento Genial/Quaest divulgado em janeiro mostrou que o saldo negativo entre aprovação e desaprovação ao governo na região dobrou em um mês, alcançando 16 pontos percentuais: 40 % aprovam a gestão, enquanto 56 % a reprovam. A pesquisa foi realizada presencialmente de 8 a 11 de janeiro, ouviu 2.004 pessoas, tem margem de erro de dois pontos percentuais e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-00835/2026.
Em simulações de primeiro turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) aparecem numericamente à frente de Lula no Sudeste. Tarcísio sinalizou intenção de disputar a reeleição em São Paulo e indicou apoio ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Com 22 % do eleitorado brasileiro, São Paulo tornou-se prioridade para o Planalto. Além de Tarcísio e Flávio, o grupo deve contar com o suporte do prefeito paulistano Ricardo Nunes (MDB). Para enfrentar esse cenário, Lula insiste na candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao Palácio dos Bandeirantes, apesar da resistência do auxiliar, que prefere atuar na coordenação nacional da campanha e já foi derrotado no estado em 2022. Haddad, que deve deixar o cargo ainda em fevereiro, afirmou à Rádio Bandeirantes na terça-feira (3) que deseja participar da campanha presidencial, mas segue discutindo o tema com Lula.
Se o impasse persistir, o presidente avalia alternativas internas. Entre elas estão o vice-presidente Geraldo Alckmin, que manifestou preferência por permanecer na chapa nacional, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, que estuda transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo e trocar de partido, e a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disposta a concorrer ao Senado para ampliar alianças.
Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, a indefinição é maior. Lula apoiou durante 2025 o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG), mas o projeto arrefeceu e o governo busca opções como o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) e o presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite (MDB). A direção petista também discute composição que inclua Kalil e a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), na disputa pelo Senado.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, esteve em Belo Horizonte para avaliar com Kalil a possibilidade de reativar alianças anteriores. Apesar de Lula manter Pacheco como preferido, o senador depende de legenda para concorrer, pois cogita deixar o PSD após a filiação do vice-governador Mateus Simões, que deve ser candidato ao governo pela sigla.
No Rio de Janeiro, a parceria com o prefeito Eduardo Paes (PSD) é considerada certa, mas cercada de cautela após gestos de Paes à direita e críticas de sua equipe ao governo federal em 2025. Reunião recente em Brasília buscou reaproximar as partes, porém petistas avaliam que a alta desaprovação presidencial no estado pode reduzir o engajamento do prefeito caso a disputa inclua nomes fortes da direita regional.
A sucessão fluminense também pesa nos cálculos. Com a possível saída do governador Cláudio Castro (PL) em abril para disputar o Senado e a renúncia do vice Thiago Pampolha, a Assembleia Legislativa terá de eleger indiretamente um governador tampão para 2026. O PT discute lançar candidato próprio, enquanto aliados de Paes procuram acordo que garanta espaço na campanha.
Parlamentares petistas afirmam que, diante do cenário adverso, não bastará vencer em redutos tradicionais como o Nordeste; será necessário diminuir a diferença no Sudeste. Segundo o CEO da Alfa Inteligência, Emanoelton Borges, a rejeição tornou-se fator central nas campanhas presidenciais. Ele avalia que, em disputas polarizadas e equilibradas, a vitória depende menos de mobilizar bases ideológicas e mais de evitar afastar o eleitor indeciso.
Com informações de Gazeta do Povo
