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Toffoli envia à PGR inquérito que apura influenciadores contratados para atacar BC após liquidação do Banco Master

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), remeteu nesta quinta-feira (29) à Procuradoria-Geral da República (PGR) o inquérito instaurado na véspera para investigar denúncias de contratação de influenciadores digitais com o objetivo de atacar o Banco Central (BC) por causa da liquidação do Banco Master.

A investigação, aberta a pedido da Polícia Federal (PF) e autorizada por Toffoli, foi colocada sob sigilo no gabinete do ministro, assim como outros processos que envolvem a instituição financeira. Fontes ouvidas pela Gazeta do Povo informaram que o ministro solicitou ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestação sobre a competência do STF para conduzir o caso ou sobre um possível envio dos autos à primeira instância. Não há prazo definido para a manifestação da PGR.

Relatos apontam que o pedido de análise à PGR ocorreu após repercussão sobre o sigilo absoluto imposto aos processos relacionados ao Banco Master. Esse sigilo, adotado no fim do ano passado quando Toffoli assumiu a relatoria, impede divulgação de informações e, segundo as mesmas fontes, tem limitado a atuação da PF — que nesta semana realizou oitivas no próprio STF, e não na sede da corporação, como costuma ocorrer.

O novo inquérito apura suspeita de uma ação coordenada por representantes do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para contratar influenciadores e desqualificar o BC pela liquidação da instituição. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também teria sido alvo dos ataques.

Produtores de conteúdo afirmaram ter sido procurados para defender a tese de que a liquidação foi precipitada. A PF investiga se ao menos 46 perfis foram acionados para criticar o BC alegando erro técnico, numa tentativa de pressionar órgãos de controle.

Fontes da investigação apontam que uma agência ligada a campanhas do banco conduziu os contatos com os influenciadores. O plano incluía vídeos destinados a reforçar decisões judiciais favoráveis ao Master e a questionar a atuação da autoridade monetária.

O caso ganhou visibilidade depois que os influenciadores Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite, alinhados à direita, relataram propostas para defender o Master nas redes sociais. O esquema foi apelidado de Projeto DV, referência às iniciais de Daniel Vorcaro.

Segundo as fontes, o inquérito se baseia no depoimento de Rony Gabriel e em provas documentais já reunidas. Reportagem do jornal O Globo indicou que contratos com influenciadores chegavam a R$ 2 milhões e previam cláusulas de confidencialidade, incluindo multa de R$ 800 mil por quebra de sigilo e a menção às iniciais do dono do banco.

As denúncias apontam que os ataques pretendiam influenciar a opinião pública ao sugerir que a liquidação teria resultado de articulação da esquerda e do Centrão. O objetivo final seria tentar reverter a medida no Tribunal de Contas da União (TCU), hipótese já descartada pelo tribunal.

Com informações de Gazeta do Povo

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