O Tocantins contabilizou 3.493 casos de gravidez em adolescentes de 10 a 19 anos em 2025, volume que corresponde a mais de 15% dos nascidos vivos no estado, conforme dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) atualizados em janeiro de 2026. A informação reforça a mobilização da Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, realizada de 1º a 8 de fevereiro, período em que a Secretaria de Estado da Saúde (SES/TO) intensifica iniciativas educativas e intersetoriais.
De acordo com a SES/TO, a gestação precoce pode provocar complicações como eclampsia, hemorragias e anemia, além de riscos para os recém-nascidos, entre eles prematuridade e malformações. A campanha nacional, instituída pelo artigo 8º do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/90), busca ampliar a conscientização sobre esses riscos, promover educação sexual e facilitar o acesso a métodos contraceptivos de longa duração, como o dispositivo intrauterino (DIU) e o Implanon, cuja eficácia atinge 99%.
A ginecologista Francielle Batista, do Hospital Geral de Palmas, observa que os métodos de longa duração são recomendados para adolescentes e estão disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde. A médica informa que o Implanon passou a ser ofertado no ano passado e apresenta eficácia superior à da laqueadura.
Paralelamente às ações clínicas, a SES/TO articula-se com os municípios para promover debates, capacitar profissionais e envolver escolas e famílias no tema. A assistente social Dileádina Ferreira Cardoso destaca a importância de garantir atendimento humanizado e acessível a pessoas de 10 a 25 anos nos serviços de saúde. Já a psicóloga Paloma Moura afirma que a prevenção depende de educação em saúde sexual, com informações claras sobre direitos sexuais e reprodutivos.
Entre os fatores de risco apontados, está a gravidez em meninas de 10 a 14 anos, frequentemente associada a situações tipificadas como estupro de vulnerável, o que demanda atuação integrada dos setores de saúde, educação, justiça e assistência social.
Os indicadores mostram redução gradual na taxa de gestações na adolescência no estado. A menor incidência foi verificada na Região de Saúde Capim Dourado, com 11,60%, enquanto a maior ocorreu na Região Cerrado Tocantins Araguaia, com 19,67%. Segundo a SES/TO, essas diferenças regionais exigem estratégias específicas e a continuidade de políticas públicas permanentes.
A pasta também oferece capacitações por meio de webinários e materiais técnicos no canal da Escola Tocantinense do SUS (Etsus), com o objetivo de aprimorar o atendimento a esse público. Especialistas ressaltam que, embora a Semana Nacional concentre esforços, as ações preventivas precisam ser mantidas ao longo do ano para garantir mais autonomia, saúde e oportunidades a meninas e meninos tocantinenses.
Com informações de Sou de Palmas
