O Sindicato dos Policiais Penais de Minas Gerais (Sindppen-MG) solicitou a interdição do Centro de Remanejamento da Gameleira (Ceresp Gameleira), na região oeste de Belo Horizonte, depois que quatro presos morreram na unidade entre 26 de fevereiro e 14 de março.
O presidente do Sindppen-MG, Jean Otoni, informou que esta não é a primeira Ação Civil Pública ingressada pela entidade para denunciar superlotação e déficit de pessoal no local. Segundo ele, inspeção realizada em 12 de fevereiro constatou que o espaço, projetado para 700 pessoas, abrigava mais de 1.900 detentos.
O dirigente afirmou que o número reduzido de servidores, aliado ao excesso de custodiados, prejudica a rotina de trabalho e tem provocado adoecimento entre os profissionais, o que diminui ainda mais o efetivo disponível. Em nota, o sindicato classificou a situação como um quadro grave que afeta a estrutura do estabelecimento, a segurança de servidores, internos e da sociedade, assim como a execução de serviços essenciais.
Cronologia das mortes
26/2 (manhã) – Um preso de 39 anos relatou ter sido agredido por outros detentos e sentia fortes dores. Ele recebeu medicação no setor de saúde, aguardava escolta para um hospital, perdeu os sentidos e morreu. O homem havia ingressado no Ceresp Gameleira em 17/2 e possuía registros prisionais desde 2007.
26/2 (tarde) – No mesmo dia, um detento de 42 anos passou mal e foi encontrado sem vida na cela. Ele estava em acompanhamento médico desde 9/2, data de admissão na unidade, e tinha registros no sistema desde 2016. A Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp) informou que não havia sinais de agressão no corpo.
27/2 (noite) – Policiais foram acionados e localizaram um interno de 26 anos sem sinais vitais. A equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) confirmou o óbito. Ele havia dado entrada em 7/2 e já passara pelo sistema em agosto de 2025.
14/3 – A quarta morte ocorreu no sábado. Um homem de 49 anos foi encontrado deitado na cela, sem vida, e teve o falecimento atestado pelo Samu. Ele havia sido admitido em 7/3.
A Sejusp declarou que não recebeu notificação sobre o pedido de interdição. O órgão ressaltou que as unidades prisionais sob responsabilidade do Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG) passam por fiscalização regular de diversos órgãos de controle, entre eles o Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
Com informações de Metrópoles
