O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quarta-feira (18) a ampliação por mais 60 dias do inquérito conduzido pela Polícia Federal que apura fraudes financeiras atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao liquidado Banco Master. A decisão atendeu a solicitação da autoridade policial, que apontou a necessidade de diligências consideradas essenciais para o esclarecimento dos fatos.
Segundo fontes ligadas à investigação, ainda restam numerosas provas a serem analisadas, entre elas oito telefones celulares apreendidos de Vorcaro nas duas primeiras fases da operação Compliance Zero. Até a terceira fase, desencadeada na semana retrasada, apenas um desses aparelhos havia passado por perícia. No total, mais de 100 dispositivos eletrônicos, além de computadores e documentos, foram recolhidos de diversos envolvidos nas três etapas da operação.
A prorrogação foi registrada no mesmo dia em que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, declarou durante evento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em São Paulo, que a corporação pode estar sofrendo pressões em razão do avanço das apurações. Ele afirmou que o trabalho seguirá até o fim e que não haverá intimidação por parte de qualquer pessoa.
Dois dias antes, Mendonça havia restringido o acesso da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS a dados pessoais de Vorcaro que foram apreendidos pela Polícia Federal e vazaram para a imprensa, material que incluía conversas com a ex-namorada Martha Graeff sobre encontros com autoridades dos Poderes Legislativo e Judiciário. O ministro determinou que a Polícia Federal filtre o conteúdo, excluindo informações de caráter íntimo e mantendo apenas aquilo relacionado às supostas fraudes financeiras.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), disse que divulgações indevidas podem comprometer as provas e fortalecer a defesa do banqueiro, chegando a retirar do processo menções ao envolvimento dele com um ministro do STF. Viana informou que a Polícia Legislativa investigará o acesso de assessores parlamentares à sala-cofre da comissão e os vazamentos.
A investigação teve início após a venda, no ano passado, de carteiras de crédito sem lastro do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12 bilhões. As apurações revelaram indícios de um esquema de fraude que envolveria outras instituições, autoridades públicas e até a formação de uma suposta milícia privada voltada contra opositores de Vorcaro. Também foram identificados dois servidores do Banco Central que, de acordo com a investigação, vazavam informações ao empresário em troca de propina.
Vorcaro foi preso novamente na semana retrasada e transferido para a Penitenciária Federal de Brasília, onde há sinais de negociação de um acordo de colaboração premiada.
Com informações de Gazeta do Povo
