Um artigo divulgado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society apresenta o maior catálogo já produzido a partir da Terra sobre explosões estelares em anãs vermelhas. Os autores relataram 1.229 erupções identificadas por meio da Zwicky Transient Facility (ZTF), instalada no Observatório Palomar, na Califórnia, Estados Unidos.
As observações da ZTF, que varre repetidamente grandes áreas do céu, possibilitaram registrar o início, o pico e o declínio das erupções em questão de minutos. A análise em escala ampliada permitiu transformar registros isolados em um conjunto de dados mais consistente, revelando padrões antes difíceis de detectar.
De acordo com o estudo, algumas anãs vermelhas entram em erupção com maior frequência do que outras, e há indícios de que a intensidade dessas explosões diminui com o envelhecimento das estrelas. Esses resultados ajudam a elucidar a evolução desse tipo de astro, considerado o mais comum na Via Láctea.
Para processar o grande volume de informações, pesquisadores do Instituto Astronômico Sternberg, em Moscou, desenvolveram um sistema automatizado que examinou bilhões de medições e selecionou os eventos mais relevantes. Posteriormente, os cientistas revisaram manualmente os dados a fim de descartar fenômenos que pudessem ser confundidos com erupções genuínas.
Os autores destacaram que levantamentos baseados em solo, como o realizado pela ZTF, cobrem áreas muito maiores do céu do que telescópios espaciais, o que favorece a detecção de eventos raros e intensos. O catálogo de anãs vermelhas deve auxiliar futuros programas de mapeamento, entre eles o Legacy Survey of Space and Time (LSST) do Observatório Vera C. Rubin, no Chile, que pretende monitorar bilhões de estrelas e galáxias.
O trabalho também fornece subsídios para estudos sobre planetas que orbitam anãs vermelhas. Como esses corpos costumam estar próximos da estrela hospedeira, ficam expostos à radiação liberada pelas erupções, o que pode aquecer a atmosfera ou provocar a perda de gases ao longo do tempo. Ao mapear a frequência e o momento dos eventos, o novo catálogo contribui para estimativas de riscos em ambientes potencialmente habitáveis.
Os dados coletados relacionam características como energia liberada, idade estelar e tipo de explosão, criando um modelo mais amplo do comportamento das anãs vermelhas. A expectativa dos pesquisadores é de que levantamentos futuros aumentem a precisão e o alcance desse tipo de análise.
Com informações de Olhar Digital
