O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a concentrar esforços em atrair candidatos com alto potencial de votos para a Câmara dos Deputados, inclusive de legendas do Centrão, como parte de sua pré-campanha à Presidência da República. Durante evento recente no Nordeste, utilizado para lançar a fase inicial da campanha, ele também defendeu a elevação da pena máxima no país para 80 anos.
Poucas semanas após declarar apoio ao parlamentar, o influenciador e ex-candidato Pablo Marçal deixou o PRTB e filiou-se ao União Brasil em cerimônia realizada em 6 de março, em São Paulo. A solenidade contou com dirigentes da nova sigla e do PP, que juntos formam a maior federação partidária do país. Na ocasião, foi exibido um vídeo de Flávio Bolsonaro em que o senador atribuiu à presença digital de Marçal um papel estratégico para a união de direita e centro-direita em âmbito nacional. O União Brasil estima que o influenciador possa disputar mandato de deputado caso consiga reverter a inelegibilidade que enfrenta na Justiça.
No Rio Grande do Sul, o vereador de Erechim Ronny Gabriel atendeu a pedido de Flávio Bolsonaro para trocar o PL pelo Podemos e buscar uma cadeira na Câmara. O parlamentar afirmou que a mudança tem o objetivo de reforçar a aliança estadual de partidos de direita. Ronny ganhou visibilidade ao denunciar um suposto esquema de compra de influenciadores digitais ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no chamado Caso Master, e hoje reúne cerca de dois milhões de seguidores no Instagram.
Para o cientista político Ismael Almeida, a incorporação de conservadores reconhecidos como “puxadores de votos” reflete o pragmatismo das siglas do Centrão, interessadas em ampliar bancadas, acesso a recursos públicos e tempo de propaganda eleitoral. Almeida entende que o PL continua a concentrar postulantes competitivos, o que, segundo ele, empurra nomes de médio desempenho para outras legendas e facilita a formação de chapas.
O PL aposta em jovens influenciadores para repetir o desempenho de 2022, quando o então vereador Nikolas Ferreira (MG) liderou a votação para deputado federal. Para 2026, despontam Lucas Pavanato e a vereadora Zoe Martínez, ambos de São Paulo. Nikolas, que pretende buscar a reeleição, segue apontado pelo consultor político Marcus Deois como principal puxador de votos da direita. Deois observa, no entanto, perda de nomes fortes no maior colégio eleitoral do país após a saída de Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli da disputa proporcional. Ele prevê que a quantidade de grandes puxadores de votos conservadores deve cair em 2026 diante de um ambiente político considerado menos tensionado.
Flávio Bolsonaro tem marcado presença em atos de filiação e encontros políticos, sobretudo no Norte e Nordeste, para fechar palanques estaduais e ampliar a base de apoio. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o acordo entre PL e Podemos prevê a candidatura ao governo do deputado federal Luciano Zucco (PL); a legenda busca compensar a saída de figuras como Maurício Marcon, que migrou do Podemos para o PL.
A janela partidária aberta entre 5 de março e 3 de abril estimula a circulação de parlamentares por novas siglas sem risco de perda de mandato, o que reequilibra forças entre partidos maiores e menores e já produz reacomodações com foco nas eleições de 2026.
Com informações de Gazeta do Povo
