O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, declarou nesta quinta-feira (12) que apenas o Supremo Tribunal Federal deverá decidir se existe motivo para retirar o ministro Dias Toffoli da relatoria das apurações sobre o Banco Master. A manifestação foi feita em entrevista ao jornal O Globo, um dia depois de virem a público informações de que o próprio Rodrigues entregou ao presidente do STF, Edson Fachin, um dossiê de quase 200 páginas com mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro que mencionam o magistrado, incluindo conversas, referências a pagamentos e convite para festa. Toffoli negou os conteúdos e classificou-os como ilações.
Rodrigues afirmou que a eventual declaração de impedimento é matéria exclusiva do Judiciário e não compete à corporação. Ele também rechaçou eventual conflito institucional com o ministro, apesar de decisões tomadas por Toffoli desde que assumiu a relatoria, em novembro do ano passado, como a decretação de sigilo absoluto, pedidos de acareação e centralização de provas fora do procedimento usual da PF. Segundo o diretor, cabe à Polícia Federal cumprir as determinações ou recorrer quando considerar necessário.
O dirigente informou ainda que a investigação sobre a negociação entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) deve ser concluída em até 60 dias, dentro da hipótese criminal estabelecida na abertura do inquérito. Outros elementos descobertos poderão originar novas frentes investigativas e serão remetidos ao foro adequado.
Entre os pontos sob apuração estão transações consideradas suspeitas entre o Banco Master e fundos ligados à gestora Reag. Rodrigues avaliou que o caso é mais amplo do que parece, defendeu atuação mais firme da Comissão de Valores Mobiliários e afirmou que qualquer indício que envolva autoridades com foro privilegiado será encaminhado ao STF. Ele destacou a necessidade de diferenciar relações pessoais de possíveis ilícitos.
O diretor lembrou ainda a existência de outro inquérito em curso na Corte, de escopo mais abrangente, que investiga suspeitas de fraude no sistema financeiro e gestão fraudulenta de fundos, caracterizado por ele como a maior apuração já realizada contra o setor, com valores investigados na casa dos bilhões.
Com informações de Gazeta do Povo
