Cerca de 57 toneladas de animais mortos foram encaminhadas ao Aterro Sanitário de Brasília, em Samambaia, entre janeiro e novembro deste ano, segundo dados do Serviço de Limpeza Urbana (SLU). O volume evidencia a dificuldade de destinar corretamente os corpos na capital federal, que não dispõe de cemitério público para pets.
Coleta feita pelo SLU
O SLU recolhe apenas animais de pequeno porte encontrados sem vida em vias públicas. Após a remoção, os corpos seguem diretamente para o aterro. No caso de animais de grande porte, como cavalos, o atendimento é acionado pelo telefone 162, que orienta sobre a localização exata para recolhimento.
Morte em domicílio gera impasse
Quando o óbito ocorre dentro de casa, tutores enfrentam poucas alternativas. A advogada e protetora animal Ana Paula Vasconcelos lembra que não existe serviço público para esses casos, e enterrar o animal por conta própria pode resultar em punição administrativa. Clínicas veterinárias costumam intermediar a destinação, mas o custo é considerado alto por muitos proprietários.
Cremação e enterro privado
No Distrito Federal, apenas dois crematórios particulares operam. O Paraíso Animal, no Núcleo Rural Lago Oeste, realiza cerca de 200 cremações por mês e já somou 2,1 mil procedimentos entre janeiro e dezembro. O forno atinge 1.200 °C, eliminando patógenos e permitindo que as cinzas sejam guardadas ou dispersas pelos tutores.
Orientação veterinária
A médica veterinária Karolina Vitorino explica que a destinação correta deve ser feita em crematórios ou cemitérios licenciados — estes últimos situados no Entorno. Clínicas são obrigadas a manter contrato com empresas de resíduos biológicos para incineração coletiva, caso o tutor opte pelo descarte sanitário.
Riscos e legislação
Especialistas alertam para o perigo de zoonoses, como raiva, durante o manuseio de carcaças. O uso de equipamentos de proteção individual é recomendado. Enterrar animais no quintal pode ser enquadrado como crime ambiental, conforme interpretação do artigo 54 da Lei 9.605/98, que prevê pena de um a quatro anos de reclusão e multa.
Imagem: Internet
Ausência de política pública
O Governo do Distrito Federal informou que, até o momento, não há estudos para implantar cemitério público de animais. Apesar de 55% dos domicílios possuírem ao menos um pet — cerca de 837 mil animais em 679,7 mil lares, segundo a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios Ampliada (Pdad-A) —, a demanda não avançou desde a previsão na Lei nº 2.095, de 1998, que determina a reserva de área para esse fim.
Enquanto não há solução oficial, tutores seguem dependentes de serviços particulares ou do descarte feito pelo SLU, prática que já resultou em dezenas de toneladas de carcaças no aterro sanitário apenas em 2023.
Com informações de Metrópoles
