A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) encaminhou, na sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitando ações urgentes para assegurar a sustentabilidade da corporação.
No documento, o presidente da entidade, Edvandir Paiva, reconhece apoio recente do Palácio do Planalto, mas afirma que o desempenho operacional da Polícia Federal está ameaçado por limitações estruturais e orçamentárias. A ADPF relata que a estratégia de sufocamento financeiro das organizações criminosas recuperou cerca de R$ 16,4 bilhões entre 2024 e 2025.
A associação indica, contudo, que o órgão sofre sobrecarga de novas atribuições, sem reposição proporcional de verbas. Segundo Paiva, tal cenário, aliado à ausência de garantias institucionais, resultou em evasão inédita de profissionais. Nos últimos três anos, 104 delegados ingressaram na carreira, enquanto 50 deixaram a instituição em busca de outras oportunidades.
O interesse nos concursos também diminuiu: o total de inscritos caiu de 321 mil, em 2021, para 218 mil, em 2025. Para a entidade, não é aceitável que a autoridade responsável por investigações sensíveis enfrente desvantagem institucional em comparação com carreiras semelhantes, inclusive dentro do Poder Executivo.
Como saída, a ADPF defende que Lula viabilize o Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC), proposto pelo Ministério da Justiça em novembro do ano anterior. O fundo destinaria valores confiscados do crime à própria Polícia Federal, com foco em modernização tecnológica e na criação da Gratificação de Eficiência Institucional (GEI), que vincularia a valorização profissional à recuperação de ativos ilícitos.
A carta pede o envio imediato do projeto de lei que institui o FUNCOC ao Congresso Nacional e a mobilização do governo para rápida apreciação, diante das restrições do calendário eleitoral. Para a categoria, a medida representaria legado permanente para a segurança pública. A ADPF afirma que, com pequenos ajustes já apresentados ao diretor-geral da Polícia Federal, a aprovação do fundo permitiria ao governo afirmar que o produto do crime financiaria o combate ao próprio crime.
Com informações de Gazeta do Povo
