A China avança em um plano que prevê a construção de uma usina solar de aproximadamente um quilômetro de extensão na órbita geoestacionária, a 36 mil quilômetros de altitude. O objetivo é captar luz solar de forma contínua e enviar eletricidade à superfície por meio de feixes de micro-ondas, eliminando as interrupções causadas por clima ou período noturno.
De acordo com estudo citado pelo South China Morning Post, o cronograma foi antecipado para reforçar a liderança tecnológica do país. A estratégia começa com o lançamento de satélites menores que validarão a conversão de luz em micro-ondas de baixa potência. Em seguida, robôs autônomos serão enviados para acoplar painéis fotovoltaicos e montar a estrutura de um quilômetro. A última etapa conecta o sistema à rede elétrica terrestre, com previsão de fornecimento de gigawatts de energia limpa em regime comercial.
O projeto exige dezenas de lançamentos de foguetes pesados para transportar componentes até a órbita. Entre os principais desafios estão a estabilização de um objeto de grande escala sujeito a radiação solar e detritos espaciais, o desenvolvimento de materiais ultraleves capazes de resistir ao vácuo e a criação de algoritmos de inteligência artificial que permitam montagem autônoma e manutenção robótica.
A segurança da transmissão é apontada como prioridade. O feixe de micro-ondas terá baixa densidade energética, distribuído em ampla área receptora no solo, o que impede danos a seres vivos ou equipamentos eletrônicos. Protocolos automáticos interrompem o envio caso o alinhamento com a antena terrestre se perca, e a estação orbital só opera quando recebe um sinal piloto originado na base.
Dados do projeto indicam que a densidade energética captada no espaço pode ser até oito vezes superior à disponível na superfície, alcançando 99% de disponibilidade anual. O governo chinês avalia que a tecnologia poderá substituir fontes térmicas e nucleares como geradora de base, além de acelerar metas de neutralidade de carbono e ampliar o mercado de créditos de energia limpa.
Nos próximos cinco anos, os responsáveis pela iniciativa concentram esforços na redução do custo de lançamento com foguetes reutilizáveis como o Longa Marcha 9. Também estão previstas negociações para estabelecer normas internacionais de operação e segurança, abrindo caminho à colaboração com outras agências espaciais e atração de investimentos externos.
Com informações de Olhar Digital
