A atriz Castilho, natural de São Paulo, integra o elenco principal da minissérie da Netflix “Emergência Radioativa”, lançada na quarta-feira (18/3) e inspirada no acidente com o Césio-137 ocorrido em Goiânia, em 1987. Na produção, ela interpreta Joana, médica que presta atendimento direto às vítimas da contaminação.
Para compor a personagem, Castilho afirma ter recorrido a bibliografia especializada, documentários e à consultoria permanente de dois médicos. Segundo ela, o objetivo foi compreender tanto os efeitos físicos da radiação quanto as consequências psicossociais e emocionais da tragédia, conduzindo o trabalho com “integridade” e “dignidade”.
Esta é a primeira vez que a artista assume o papel de uma profissional de saúde. Ela relata que o processo a levou a refletir sobre ética e responsabilidade, buscando equilibrar a dimensão íntima da protagonista com a magnitude coletiva do desastre. Durante as filmagens, manteve atenção constante ao figurino e aos protocolos de proteção — semelhantes aos adotados na pandemia de Covid-19 —, o que a levou a concentrar a expressão dramática principalmente no olhar.
Castilho descreve sentimentos de injustiça social e indignação como eixos que sustentam a construção de Joana. Ela ressalta que sempre se identificou com as artes: iniciou os estudos de teatro aos 18 anos e, dois anos depois, passou a cursar cinema. A vocação, afirma, consolidou-se no set do longa-metragem “Ana”, momento em que decidiu dedicar-se definitivamente à atuação.
No cinema, ganhou projeção como co-protagonista de “A Batalha da Rua Maria Antônia”, dirigido por Vera Egito, em que interpretou Ângela, estudante contrária à ditadura militar durante o confronto entre alunos da USP e do Mackenzie, em 2 e 3 de outubro de 1968. Para Castilho, a força dessa personagem reforçou a necessidade de resistência no ofício.
Antes de “Emergência Radioativa”, a atriz já aparecera em produções da Netflix: participações em “3%” e “Sintonia”, ambas em 2016, e o papel de Vera na série “Santo”, coprodução Brasil-Espanha lançada em 2021. Ela adianta que estará em dois longas-metragens previstos para abril deste ano e prepara projetos autorais para o teatro no segundo semestre.
O acidente com o Césio-137, recriado pela minissérie, é considerado o maior episódio radiológico da história do Brasil. O caso começou quando um aparelho de radioterapia abandonado foi retirado de uma clínica desativada e levado a um ferro-velho. Dentro dele havia uma cápsula contendo o material radioativo, que, ao ser aberta, revelou um pó azul brilhante. Sem consciência do risco, moradores manipularam e distribuíram a substância, espalhando a contaminação pela cidade.
A emergência mobilizou cientistas, médicos e autoridades. Mais de 100 mil pessoas passaram por exames para avaliar a exposição, enquanto equipes especializadas buscavam focos de radiação e isolavam áreas atingidas. Quase quatro décadas depois, o episódio segue como referência na saúde pública e na segurança nuclear do país.
Com informações de Metrópoles
