A ariranha (Pteronura brasiliensis) firmou-se como um dos principais predadores dos ecossistemas aquáticos brasileiros. Com até 1,8 m de comprimento, o maior membro da família das lontras vive em bandos familiares que podem reunir 12 indivíduos, estratégia que garante vantagem sobre rivais de maior porte, como onças-pintadas e jacarés.
Estrutura social garante defesa coletiva
Enquanto onças e jacarés caçam sozinhos, ariranhas atuam de forma cooperativa. Ao detectar a aproximação de uma onça às margens do rio, o grupo avança emitindo gritos agudos e bufos. Cercado por vários animais que atacam em diferentes ângulos com mordidas rápidas, o felino costuma recuar.
O método se mostrou eficaz no Canal do Caxiri, no Pantanal, onde a onça-pintada conhecida como Ousado foi contida durante quase três horas por um grupo que manteve barreira intransponível, segundo registros do Projeto Ariranhas.
Predação coordenada contra jacarés
Peixes compõem a base da dieta, mas as ariranhas são oportunistas. Bandos já foram observados abatendo jacarés de pequeno e médio porte: primeiro imobilizam a cauda ou regiões mais macias, depois perfuram a couraça com mandíbulas fortes. O comportamento lhes rendeu o apelido regional de “onças-d’água”.
Ameaças humanas colocam espécie em risco
Apesar da valentia, o mamífero enfrenta redução populacional causada por perda de habitat, desmatamento, poluição por mercúrio do garimpo e conflitos com pescadores. A caça ilegal pela pele também persiste em algumas áreas.
Imagem: Internet
Programas de monitoramento, criação de unidades de conservação, restauração de matas ciliares e manejo sustentável dos recursos hídricos são apontados por pesquisadores como ações essenciais para preservar a espécie, considerada indicadora da qualidade da água.
Com informações de Olhar Digital
