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Amostras da Chang’e 6 revelam impacto colossal que moldou o lado oculto da Lua

Cientistas identificaram no lado oculto da Lua uma proporção atípica do isótopo potássio-41 em relação ao potássio-39, indício que sustenta a hipótese de um impacto de grandes proporções ocorrido há cerca de 4,3 bilhões de anos. A conclusão resulta da análise de rochas basálticas coletadas em 2024 pela missão chinesa Chang’e 6 na Bacia Polo Sul-Aitken.

A equipe, liderada por Heng-Ci Tian, do Instituto de Geologia e Geofísica da Academia Chinesa de Ciências, comparou o material recém-trazido com amostras do lado visível e verificou um enriquecimento significativo do isótopo mais pesado. Os pesquisadores descartaram explicações como efeitos de raios cósmicos, processos vulcânicos e contaminação por meteoritos, apontando o evento de impacto que escavou a bacia como a única causa compatível com a assinatura isotópica observada.

Segundo o estudo, o choque aqueceu intensamente a crosta e o manto lunar, provocando a evaporação de elementos voláteis, incluindo o potássio. O potássio-39, por ser mais leve, se perdeu com maior facilidade no espaço, enquanto o potássio-41 permaneceu na superfície, deixando o registro químico agora identificado.

A perda desses voláteis teria inibido a formação posterior de magma na região, impedindo grandes erupções que poderiam preencher as bacias com basalto. Por isso, o lado oculto não desenvolveu os extensos mares escuros característicos da face voltada permanentemente para a Terra.

O trabalho, publicado nos Anais da Academia Nacional de Ciências (PNAS), demonstra que medições isotópicas de alta precisão podem servir como arquivo geológico de antigos impactos, fornecendo dados sobre temperatura, magnitude e efeitos geoquímicos desses eventos na evolução de corpos planetários.

Com informações de Olhar Digital

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