Registros de voos e documentos de pagamento de diárias indicam que a aeronave utilizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli na viagem à final da Copa Libertadores da América de 2025, em Lima, também realizou deslocamentos que coincidem com períodos de permanência de seguranças do Judiciário no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), empreendimento que já teve parentes do magistrado como sócios.
Dados divulgados pelo jornal O Globo nesta sexta-feira (23) mostram que o avião pertence a uma empresa do empresário Luiz Osvaldo Pastore e cumpriu rotas entre Brasília e Ourinhos (SP) nos meses de março e agosto de 2025. Ourinhos fica a cerca de 40 quilômetros do resort de luxo.
Nas mesmas datas, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, de São Paulo, autorizou diárias para agentes de segurança que acompanharam um ministro do STF em Ribeirão Claro. Informações oficiais apontam que servidores permaneceram na cidade por 128 dias desde 2022. Em 7 de março de 2025, às 11h30, o avião decolou de Ourinhos rumo a Brasília, enquanto documentos registram a presença de seguranças no município entre 2 e 6 de março. Em 1º de agosto, a aeronave fez o trecho inverso, com diárias pagas a agentes de 1º a 4 de agosto.
Em dezembro, veio a público que Toffoli estava entre os passageiros desse mesmo avião em um voo para Lima, onde ocorreu a decisão da Libertadores. Na mesma viagem encontrava-se o advogado Augusto de Arruda Botelho, defensor de Luiz Antônio Bull, investigado no caso do Banco Master.
Nesta quinta-feira (22), vídeo divulgado pelo portal Metrópoles mostrou Toffoli recepcionando Pastore e o banqueiro André Esteves no Tayayá. Pastore, empresário paulista radicado no Espírito Santo, não havia se manifestado até a publicação da apuração.
Investigações apontam que familiares de Toffoli foram sócios do resort em parceria com um fundo de investimentos ligado ao Banco Master e ao cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel. Em 2021, um fundo associado a Zettel comprou, por R$ 6,6 milhões, parte da participação de dois irmãos do ministro no Tayayá. À época, um dos irmãos administrava o empreendimento; a cunhada do magistrado negou qualquer participação do marido.
O STF informou na quinta-feira (22) que a segurança institucional busca garantir a autonomia e a imparcialidade dos ministros, ressaltando ameaças recebidas por e-mail, redes sociais, tentativas de invasão das dependências da Corte e outras ações criminosas.
A Gazeta do Povo procurou o gabinete de Dias Toffoli no STF e aguarda retorno.
Com informações de Gazeta do Povo
