O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou na noite de quinta-feira, 15 de janeiro, que já havia feito o que precisava fazer no dia, horas depois de determinar a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal para o Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, localizado próximo ao Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
A afirmação foi feita durante cerimônia de colação de grau da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), onde Moraes atuou como paraninfo. Ao comentar que nenhum dos oradores respeitou o limite de três minutos estabelecido para os discursos, o ministro disse ter cogitado tomar providências, mas acrescentou que se conteve porque, segundo ele, já tinha cumprido suas obrigações naquele dia. A plateia de estudantes reagiu com risos e aplausos.
O jurista André Marsiglia avaliou que a declaração escancara perseguição contra Bolsonaro. Ele argumentou que, poucas horas após ordenar a transferência, Moraes insinuou durante a formatura que não puniria os alunos por já ter tomado medidas suficientes no mesmo dia.
Em publicação nas redes sociais, o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) caracterizou Moraes como narcisista, afirmando que o ministro se satisfaz com aplausos por suposta tirania e recebe apoio de um grupo ideológico que celebraria a perseguição a adversários.
O Supremo Tribunal Federal costuma afirmar que Moraes se manifesta apenas nos autos. O gabinete do ministro foi procurado para comentar o episódio, mas não respondeu até o fechamento desta reportagem.
Bolsonaro deixou a sala de Estado-maior da Polícia Federal após reclamações sucessivas sobre as condições do local, onde cumpria pena desde novembro do ano passado. Pela ordem de Moraes, ele passou para as instalações da Polícia Militar, apelidadas de “Papudinha”.
Em reações paralelas, o pastor Silas Malafaia parabenizou Michelle Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, pela transferência do ex-presidente, enquanto o vereador Carlos Bolsonaro classificou a Papudinha como ambiente severo e defendeu prisão domiciliar para o pai.
Com informações de Gazeta do Povo
