O Palácio do Planalto informou nesta sexta-feira (16) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não viajará ao Paraguai para o evento de assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, previsto para este fim de semana. Segundo o governo, o chefe do Executivo será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A cerimônia reunirá os presidentes dos países do bloco sul-americano e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
A ausência do presidente brasileiro contrasta com a atuação que ele vem desempenhando desde o início do atual mandato para concluir o tratado negociado há 26 anos. Lula pretendia finalizar o processo durante o período em que presidiu o Mercosul, de julho a dezembro do ano passado. A presidência temporária do bloco está agora com o Paraguai, país que sediará a solenidade de assinatura em Assunção neste sábado (17).
Mais cedo, no Rio de Janeiro, Lula encontrou-se com Ursula von der Leyen em um encontro tratado como antecipação do ato formal. Em artigo publicado no jornal argentino La Nación, o presidente classificou a parceria como resposta a práticas unilaterais que, segundo ele, isolam mercados e elevam o protecionismo, prejudicando o crescimento global. Ainda no texto, ele declarou que não há economias isoladas, que o comércio internacional não se baseia em soma zero e que a nova parceria deverá gerar emprego, renda, desenvolvimento sustentável e avanço econômico para as duas regiões.
O presidente acrescentou que o entendimento só foi possível porque Mercosul e União Europeia perceberam ter mais a ganhar juntos e optaram pelo diálogo em condições de respeito e igualdade. Frisou também que a cooperação se mostra mais eficaz do que a intimidação e o conflito, mesmo diante de visões distintas entre os blocos.
Após a reunião no Rio, Lula mencionou que Mercosul e União Europeia compartilham valores relacionados à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos. Na ocasião, retomou críticas dirigidas ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, às quais já havia feito referência anteriormente, associando ao ex-líder norte-americano atitudes consideradas autoritárias e unilaterais.
Com informações de Gazeta do Povo
