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Dino afirma que decisões individuais no STF garantem “previsibilidade” e cumprem a lei

Brasília — O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), publicou neste domingo, 4 de janeiro de 2026, uma nota nas redes sociais para rebater críticas às decisões monocráticas da Corte. Segundo ele, a prática é “absolutamente normal” porque está prevista na legislação e assegura previsibilidade ao sistema de Justiça.

De acordo com Dino, a função das decisões individuais é aplicar precedentes já fixados pelo próprio tribunal, evitando que os mesmos temas sejam analisados repetidamente pelo plenário. “Se o Tribunal precisar julgar de forma colegiada — milhares de vezes — a mesma questão jurídica, qual o sentido de haver força vinculante no precedente?”, questionou.

Fundamentação legal

O ministro citou o artigo 932 do Código de Processo Civil, que confere ao relator poderes para apreciar tutelas provisórias, negar recursos contrários à jurisprudência e deixar de conhecer de recursos inadmissíveis, entre outras atribuições. No campo penal, lembrou o artigo 2º da Lei 8.038/1990, que designa o relator como “juiz da instrução” com as prerrogativas conferidas a magistrados de primeira instância.

“Com essas definições legais, é absolutamente normal que exista um grande número de decisões monocráticas no STF, pois isso significa que a lei está sendo cumprida”, escreveu Dino.

Números de 2025

Levantamento apresentado pelo presidente do STF, Edson Fachin, indica que, das 116.170 decisões proferidas pelo Tribunal em 2025, 93.559 foram monocráticas — 80,5% do total. Dino ponderou que, diante desse volume, seria “contrário ao bom senso” exigir deliberação colegiada em todas as análises.

Críticas no Congresso

Apesar da defesa do ministro, a prática tem sido alvo de pressões de parlamentares. Em 2025, decisões individuais de Dino suspenderam a liberação de emendas parlamentares consideradas pouco transparentes, o que irritou deputados e senadores. No ano anterior, ele autorizou a abertura de crédito extraordinário para combater incêndios florestais, medida vista por críticos como interferência no ajuste da meta fiscal.

Outros ministros também enfrentaram resistência. Gilmar Mendes derrubou, em decisão monocrática, trechos da Lei do Impeachment que permitem a qualquer cidadão apresentar denúncia contra ministro do STF; depois, reviu parte da decisão. Dias Toffoli, por sua vez, suspendeu multas de acordos de leniência da Odebrecht e da J&F e impôs sigilo a processos ligados ao Banco Master. Já Alexandre de Moraes autorizou prisões preventivas em inquéritos sobre a tentativa de golpe de 2022 e sobre milícias digitais, medidas que ampliaram a insatisfação no Legislativo.

A reação levou senadores a retomar a tramitação de uma proposta de emenda à Constituição que restringe decisões individuais na Corte, já aprovada no Senado e pendente de análise na Câmara.

As discussões devem prosseguir nas próximas sessões do Congresso, enquanto o STF mantém o uso das decisões monocráticas amparado nos dispositivos legais citados por Dino.

Com informações de Gazeta do Povo

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