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Lula critica operação de Trump na Venezuela e evita condenar Rússia pela guerra na Ucrânia

BRASÍLIA – A reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, determinada por Donald Trump, colocou em evidência a diferença de tom adotada pelo Planalto quando o assunto é a invasão russa da Ucrânia. Enquanto o petista classificou a ação norte-americana como “afronta gravíssima à soberania da Venezuela”, suas declarações sobre o conflito europeu têm evitado apontar Vladimir Putin como único responsável pela guerra.

Críticas diretas a Washington

Desde maio de 2023, quando recebeu Maduro no Palácio do Planalto, Lula passou a associar sanções dos EUA a “crimes de guerra”. Na ocasião, afirmou que “o bloqueio é pior do que uma guerra, porque mata criança, mulheres, pessoas que não têm nada a ver com a disputa ideológica”.

O posicionamento gerou reação do então presidente chileno, Gabriel Boric, que cobrou uma posição “firme e clara” sobre violações de direitos humanos na Venezuela. Organizações como a Human Rights Watch também apontaram falta de ênfase do governo brasileiro na questão humanitária.

Em outubro do ano passado, já no segundo mandato de Trump, Lula elevou o tom após o envio de navios da Marinha dos EUA ao Caribe: “Nenhum presidente deve dar palpite sobre a Venezuela… É preciso respeitar a autodeterminação dos povos”. Durante viagem à Indonésia no mesmo mês, voltou a criticar operações norte-americanas contra o narcotráfico na costa venezuelana, dizendo que se trata de violação da soberania territorial.

A condenação mais dura veio neste sábado (3), após bombardeios a Caracas e a prisão de Maduro. Em nota oficial, o governo brasileiro afirmou que os EUA “ultrapassam uma linha inaceitável”.

Discurso cauteloso sobre Moscou

Em contraste, as falas de Lula sobre a guerra na Ucrânia costumam atribuir responsabilidade às duas partes. Na cúpula do G7, em maio de 2023, ele declarou: “Quando um não quer, dois não brigam. É preciso encontrar quem quer a paz”. Um mês antes, em Portugal, criticou o envio de armas dos EUA a Kiev: “É preciso que os Estados Unidos parem de incentivar a guerra e comecem a falar em paz”.

As declarações provocaram reação da Casa Branca. John Kirby, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, acusou o Brasil de “papaguear a propaganda russa e chinesa”.

Mesmo após bombardeios russos a alvos civis em Kiev, em setembro passado, notas do Itamaraty omitiram a autoria dos ataques. O ministério limitou-se a lamentar as vítimas e reafirmar disposição para “solução diplomática”.

Estratégia nos Brics

Diplomatas ouvidos reservadamente avaliam que a postura do Planalto busca reforçar a coesão dos Brics, grupo que inclui Rússia, China, Índia e África do Sul – e que acaba de admitir Venezuela, Egito, Etiópia, Indonésia, Irã e Emirados Árabes Unidos. Ao mesmo tempo, o governo procura sinalizar oposição à influência dos EUA na América Latina, intensificada durante a gestão Trump.

Críticos apontam, no entanto, que o duplo padrão pode comprometer a credibilidade brasileira em temas de direitos humanos e respeito à soberania.

Com informações de Gazeta do Povo

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