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Economia de 2026 tende a dividir o ano entre janelas de oportunidade e turbulência fiscal

Especialistas projetam um panorama de “dois tempos” para a economia brasileira em 2026. No primeiro semestre, a combinação de cortes moderados na taxa Selic, ambiente externo favorável e fluxo de capital estrangeiro deve abrir espaço para valorização de ativos de risco, sobretudo ações. Já a segunda metade do ano tende a ser marcada por forte volatilidade ligada ao calendário eleitoral e ao aumento da preocupação com a sustentabilidade das contas públicas.

Primeiro semestre impulsionado por juros mais baixos e cenário internacional

A expectativa do mercado é que o Banco Central inicie a redução da Selic até março, após mantê-la em 15% por um período prolongado. Projeções compiladas no boletim Focus indicam que a taxa básica pode terminar 2026 em torno de 12,25%.

Fatores externos também jogam a favor. Analistas do UBS observam que o Federal Reserve deve seguir cortando juros graças a inflação mais moderada e atividade menos aquecida nos Estados Unidos. Esse movimento reforça a atratividade de mercados emergentes, sustentando a entrada de recursos no Brasil. O PIB global, estimado em 3% pelo FMI, é impulsionado pelo avanço dos investimentos em inteligência artificial, conforme aponta o J.P. Morgan Private Bank.

Com dólar mais fraco e diferencial de juros ainda elevado, o real deve permanecer resiliente no início do ano. O ambiente positivo, somado à previsão de crescimento de 18% nos lucros corporativos, coloca a Bolsa de Valores como principal aposta para os seis primeiros meses, segundo consenso de analistas da Bloomberg.

Pressão fiscal e eleições dominam a segunda metade do ano

Passada a fase inicial de otimismo, o foco se desloca para as incertezas políticas. Economistas veem a disputa sucessória como determinante para a avaliação de risco do país. A dívida pública, que pode alcançar 83,8% do PIB em 2026 (ante 79,6% em 2025), exige um programa de ajuste crível a partir de 2027. Sem sinalização clara, o real fica mais suscetível à fuga de capitais e a taxa Selic encontra limite para recuos adicionais.

A limitação é reforçada por dois fatores: inflação de serviços projetada em 5,2% ‑ ainda acima do patamar compatível com a meta de 3% ‑ e mercado de trabalho aquecido, com desemprego de 5,4% em outubro, bastante inferior ao nível considerado neutro (8%).

Crédito apertado e inadimplência elevada

Ainda que a Bolsa apresente potencial de alta, setores dependentes de financiamento seguem pressionados. A inadimplência das famílias permanece em patamar recorde, com comprometimento da renda em 28,5% (setembro de 2025). Empresas de varejo, construção civil e automóveis só devem sentir alívio no fim de 2026, quando os efeitos dos cortes de juros começam a aparecer no mercado de crédito.

Risco de dominância fiscal pós-2026

Economistas alertam que a eleição de 2026 definirá se o país enfrentará reformas estruturais ou prolongará o gradualismo fiscal. Caso o próximo governo adie ajustes nas despesas obrigatórias e insista em elevar receitas, cresce a possibilidade de dominância fiscal a partir de 2027, cenário em que juros elevados perdem efetividade no controle da inflação.

No curto prazo, o consenso do Focus aponta crescimento de 2,3% para 2025 e 1,8% em 2026. Apesar do ritmo menor, a projeção pressupõe que o primeiro semestre aproveite o ambiente externo positivo, enquanto o segundo será guiado pelas expectativas sobre o compromisso fiscal do futuro governo.

Com informações de Gazeta do Povo

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