A Microsoft anunciou uma reorganização interna nas áreas responsáveis pelo assistente de inteligência artificial Copilot. Em memorando enviado aos funcionários, o CEO Satya Nadella informou que a companhia deixou de separar as equipes focadas no mercado corporativo das voltadas ao consumidor, decisão que, segundo funcionários, vinha provocando experiências fragmentadas e confusas.
Com a mudança, a empresa passa a oferecer uma única experiência de produto que cobre aplicações empresariais e de consumo. Nadella afirmou que o novo modelo deve permitir entregas mais coerentes e competitivas, além de acompanhar a evolução dos modelos de IA. O executivo também ressaltou que essas tecnologias serão decisivas para o sucesso da Microsoft na próxima década. As informações constam em reportagem do Wall Street Journal.
A reestruturação alterou as atribuições de executivos-chave. Jacob Andreou, que liderava produto e crescimento na Microsoft AI, assumiu o cargo de vice-presidente executivo do Copilot, ficando responsável por design, produto, crescimento e engenharia. Mustafa Suleyman, contratado em 2024 como CEO da Microsoft AI para comandar o Copilot destinado ao consumidor, concentrará esforços nos modelos proprietários de IA e na busca pela chamada superinteligência. Já os aplicativos do Microsoft 365 ficarão sob um grupo que inclui Ryan Roslansky, CEO do LinkedIn e vice-presidente executivo da Microsoft.
A empresa promove a reorganização em meio a pressões de mercado. Em fevereiro, comunicou a venda de 15 milhões de licenças do Microsoft 365 Copilot, número considerado baixo diante da base de mais de 450 milhões de licenças pagas do Microsoft 365. No segmento de consumo, o Copilot registra mais de 150 milhões de usuários ativos mensais.
Os rivais mantêm vantagem: o Google Gemini superou 650 milhões de usuários mensais, enquanto o ChatGPT alcança cerca de 900 milhões de usuários ativos semanais. Pesquisas internas da Microsoft apontaram que a existência de múltiplas versões do Copilot causa confusão, reflexo direto da antiga divisão entre as equipes.
O desenvolvimento de modelos proprietários também enfrentou dificuldades. De acordo com o Wall Street Journal, a falta de capacidade computacional afetou o processo e os modelos da Microsoft ficaram atrás dos concorrentes em testes de benchmark.
Para ampliar a adoção do Copilot no consumo, a Microsoft investe em novas funcionalidades, como uma ferramenta que fornece orientações de saúde personalizadas com base no histórico médico dos usuários. No balanço financeiro mais recente, a companhia informou que está destinando mais capacidade computacional aos produtos Copilot, após ganhar maior confiança em sua capacidade de monetização.
Com informações de Olhar Digital
