Um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego analisou dados do Telescópio Espacial James Webb (JWST) e apresentou, na revista Nature Astronomy, evidências de que os quatro exoplanetas gigantes do sistema HR 8799, a 133 anos-luz de distância na constelação de Pégaso, se formaram pelo processo de acreção de núcleo.
Os autores identificaram enxofre nas atmosferas desses mundos, cuja massa varia de cinco a dez vezes a de Júpiter. Segundo o estudo, a presença desse elemento reforça a hipótese de crescimento gradual de um núcleo sólido que, posteriormente, atrai grandes volumes de gás. O resultado contrasta com trabalhos anteriores que apontavam para a instabilidade gravitacional, mecanismo de colapso direto do gás, como única explicação para a formação de objetos tão massivos e distantes — entre 15 e 70 vezes a separação Terra-Sol.
Essa conclusão foi possível graças à sensibilidade e à resolução do JWST, que permitiram detectar moléculas raras e detalhes atmosféricos antes inalcançáveis. Até então, a espectroscopia nos exoplanetas de HR 8799 se baseava em água e monóxido de carbono, elementos considerados pouco eficazes para determinar a origem planetária. A nova abordagem, focada em elementos refratários como o enxofre, forneceu um indicador mais robusto do processo de formação.
Jean-Baptiste Ruffio, da UC San Diego, informou que a capacidade do telescópio de captar sinais fracos possibilitou o estudo detalhado das atmosferas desses planetas, mesmo sendo cerca de 10 000 vezes menos brilhantes que a estrela hospedeira. Para extrair esses dados, o pesquisador desenvolveu métodos específicos de análise. Já Jerry Xuan, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, elaborou modelos atmosféricos refinados que confirmaram a presença de enxofre, incluindo sulfeto de hidrogênio detectado pela primeira vez nesses corpos celestes.
A equipe encontrou sinais inequívocos do elemento no terceiro planeta, HR 8799 c, e considera provável que os três planetas internos também contenham enxofre. Os cientistas observaram ainda que esses mundos apresentam quantidades superiores de carbono e oxigênio em comparação com a estrela do sistema, característica que apoia a formação por acreção de núcleo.
Quinn Konopacky, da UC San Diego, avaliou que os modelos mais antigos de acreção de núcleo não contemplavam cenários em que gigantes gasosos desenvolvem núcleos sólidos tão afastados da estrela. Ruffio acrescentou que HR 8799 permanece único por ser o único sistema já fotografado com quatro planetas tão massivos, levantando questões sobre o limite máximo de massa para que um objeto ainda seja classificado como planeta, em vez de anã marrom.
Com apenas 30 milhões de anos, o sistema HR 8799 oferece um laboratório natural para investigar a formação de mundos gigantes, pois planetas jovens são mais quentes e luminosos. A descoberta sugere que processos semelhantes aos que atuaram em Júpiter podem ocorrer em corpos muito mais massivos, fornecendo novos parâmetros para modelos de evolução planetária.
Com informações de Olhar Digital
