Venda Nova do Imigrante, no Espírito Santo, é apontada por uma pesquisa da Case Study como um território onde tradição cultural, sustentabilidade e eficiência produtiva se integram. O estudo analisa mudanças na paisagem e no uso do solo provocadas pelo agroturismo, utilizando métricas espaciais, sistemas de informação geográfica (GIS) e imagens de satélite.
A presença de imigrantes do Vêneto e da Lombardia introduziu técnicas agrícolas e construtivas semelhantes às empregadas na Toscana e no Piemonte. Essas práticas foram adaptadas ao relevo serrano, possibilitando cultivos de alta qualidade em pequena escala e soluções arquitetônicas baseadas em pedra e madeira, consideradas eficientes para controle térmico e estrutural.
A produção agrícola concentra-se em micropropriedades com baixa interferência química e rastreabilidade. Processos tradicionais, como a cura de embutidos e o cultivo de café de altitude, permanecem ativos. No caso do socol, a fermentação natural controlada e a cura ao ar livre formam um método de biotecnologia alimentar transmitido de forma empírica entre gerações. Já o café de altitude usa variáveis de temperatura e solo como parte de um “laboratório natural”, resultando em grãos premiados internacionalmente.
No turismo, a região oferece experiências alinhadas à identidade local e à sustentabilidade econômica. O acesso pela BR-262 funciona como corredor logístico entre litoral e serra, mantendo fluxo constante de visitantes durante o ano. O clima de montanha permite planejar eventos e colheitas segundo ciclos previsíveis definidos por dados ambientais.
Segundo o levantamento, sistemas sociais resilientes reforçam a continuidade das práticas herdadas, e a combinação entre conhecimento histórico, ciência ambiental e economia local configura o município como exemplo funcional de inovação baseada em herança cultural.
Com informações de Olhar Digital
