As iniciativas científicas da China avançam com equipamentos que antes pareciam restritos à ficção científica. Entre os destaques está a centrífuga CHIEF, instalada em Hangzhou, província de Zhejiang, que entra na fase de testes avançados. O sistema de hipergravidade atinge 1900 g-ton, possibilitando a observação de fenômenos físicos sob pressões extremas. Segundo estudo divulgado pelo portal AIP Publishing, a máquina consegue condensar séculos de processos geológicos em poucas horas, auxiliando pesquisas sobre poluentes e a durabilidade de trilhos ferroviários. Para comparação, um piloto de caça pode perder a consciência a 9 G, enquanto a estrutura opera em níveis que desafiam a resistência de materiais convencionais.
Outro pilar da estratégia tecnológica chinesa é o reator de fusão EAST, popularmente chamado de “sol artificial”. O dispositivo busca reproduzir a fusão de núcleos de hidrogênio em temperaturas que superam 150 milhões °C. Os avanços no confinamento magnético mantêm o plasma estável por intervalos cada vez maiores, perspectiva considerada essencial para diminuir a dependência de combustíveis fósseis e viabilizar energia limpa de longo prazo.
Na área biomédica, pesquisadores utilizam a técnica CRISPR para alterar o gene PCSK9 por meio de uma aplicação única destinada a reduzir permanentemente o colesterol LDL. O objetivo é prevenir doenças cardiovasculares em pessoas com predisposição genética. Embora os resultados iniciais sejam promissores, os cientistas ressaltam que a adoção em larga escala depende de protocolos éticos rigorosos e de estudos clínicos prolongados.
No setor de eletrônicos de consumo, o analista Mark Gurman indica que a Apple pretende adotar o modelo Gemini, do Google, na assistente virtual Siri. A mudança sinaliza um redirecionamento da empresa, tradicionalmente focada em soluções próprias, ao buscar ferramentas já consolidadas para oferecer respostas mais ágeis e complexas por meio de linguagem natural.
Em mobilidade urbana, protótipos de trens Maglev desenvolvidos na China superam 700 km/h em túneis com vácuo parcial, reduzindo quase totalmente a resistência do ar e o atrito. O projeto pretende ligar grandes cidades em frações do tempo necessário atualmente e competir com a aviação comercial, embora ainda dependa da viabilidade econômica para a construção de longos trechos sob vácuo.
Os dados apresentados mostram que, apesar do entusiasmo popular em torno de conceitos como “máquina do tempo”, a centrífuga CHIEF funciona como um simulador de compressão temporal em escala física. Da mesma forma, o reator EAST permanece como protótipo de fusão, e o uso de CRISPR contra colesterol alto segue em avaliação clínica. Todas as iniciativas, porém, reforçam a posição da China na corrida por soluções de engenharia, energia, saúde e transporte.
Com informações de Olhar Digital
